Parasitologia humana · Graduação
Enteroparasitos em foco
Ciclos, morfologia, diagnóstico laboratorial e imunopatologia dos parasitos intestinais, com simuladores, lâminas virtuais em escala real e casos clínicos fictícios para resolver passo a passo.
Disponíveis
Comece por qualquer um. O Laboratório de diagnóstico é transversal e serve de apoio para os módulos de cada grupo de parasitos.
Base do conteúdo. Neves, Parasitologia Humana; Rey, Parasitologia e Bases da Parasitologia Médica; Cimerman & Cimerman, Parasitologia Humana e seus Fundamentos Gerais; De Carli, Parasitologia Clínica; Abbas, Lichtman & Pillai, Imunologia Celular e Molecular; CDC DPDx; Organização Mundial da Saúde. As referências completas estão no fim de cada módulo. Ilustrações redesenhadas como esquemas originais. Casos clínicos fictícios. Modelos e simuladores são didáticos e não substituem a prática de laboratório.
Fundamentos · Parasitologia geral
Relação parasito–hospedeiro
Antes de estudar cada parasito, vale dominar o vocabulário que organiza todos eles: onde o parasito se reproduz, que forma entra no hospedeiro, que forma sai, quanto tempo ela precisa passar no ambiente e o que interrompe esse caminho.
Ao final do módulo, você deve conseguir
- Usar corretamente os conceitos de hospedeiro definitivo e intermediário, vetor, reservatório, forma infectante, forma diagnóstica e período pré-patente.
- Classificar os ciclos dos enteroparasitos em monoxênicos e heteroxênicos.
- Explicar por que alguns parasitos passam diretamente de pessoa a pessoa e outros dependem de um período no solo, na água ou em outro hospedeiro.
- Relacionar cada via de transmissão às medidas que a interrompem, numa perspectiva de .
Quem passa direto para o colega?
Conceitos que organizam a parasitologia
Divergência de definição. Alguns autores definem hospedeiro definitivo pela fase adulta do parasito; outros, pela reprodução sexuada. As duas definições coincidem para os helmintos, mas não para todos os protozoários. Confira a definição usada na edição adotada.
Base: Neves, Parasitologia Humana, capítulos introdutórios de parasitologia geral; Rey, Bases da Parasitologia Médica conferir capítulos.
Monoxênico ou heteroxênico?
Toque em um parasito e depois na coluna onde ele se encaixa. Ciclo monoxênico tem um único hospedeiro; heteroxênico exige mais de um.
Monoxênico
Heteroxênico
Forma que entra, forma que sai
Para cada parasito, escolha a forma infectante (a que inicia a infecção no ser humano) e a forma diagnóstica (a que se procura no exame).
| Parasito | Forma infectante | Forma diagnóstica |
|---|
Barreiras de transmissão
Ative medidas de controle e veja como cai o risco de transmissão de cada parasito. Repare que nenhuma medida isolada protege contra todos: cada uma bloqueia uma via.
Vias de transmissão
Modelo didático qualitativo: os pesos das vias foram escolhidos para mostrar a lógica das barreiras e não representam estimativas epidemiológicas.
Base: Neves, capítulos de epidemiologia e profilaxia de cada parasito; Organização Mundial da Saúde, diretrizes de água, saneamento e higiene (WASH) para doenças tropicais negligenciadas conferir documento.
Questões comentadas
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Fontes do módulo
Protozoários · Amebas, flagelados e coccídios
Protozoários intestinais
Organismos de 5 a 30 µm que exigem objetiva de 40×, lugol e, para os coccídios, coloração específica. No laudo, distinguir patogênicos de comensais é tão importante quanto encontrar o parasito.
Ao final do módulo, você deve conseguir
- Diferenciar cistos e trofozoítos de Giardia duodenalis, do complexo Entamoeba histolytica/dispar e dos comensais (Entamoeba coli, Endolimax nana, Iodamoeba bütschlii) pelo tamanho, número e estrutura dos núcleos e inclusões.
- Reconhecer os oocistos de Cryptosporidium, Cyclospora e Cystoisospora na coloração de .
- Explicar a patogenia da giardíase (má absorção sem invasão) e da amebíase (lise tecidual e úlcera) e por que E. dispar não causa doença invasiva.
- Interpretar um laudo com comensais: o que ele significa clínica e epidemiologicamente.
Um laudo com Entamoeba coli
Quadro comparativo
Nas fezes formadas encontram-se sobretudo cistos, formas de resistência e de transmissão. Trofozoítos aparecem em fezes diarreicas e degeneram rápido: devem ser procurados em exame direto a fresco, em até cerca de 30 minutos após a emissão, ou em amostra com conservante conferir prazo em De Carli. O lugol cora o glicogênio e torna os núcleos visíveis, mas mata os trofozoítos, que deixam de se mover.
Os cistos de E. histolytica e E. dispar são idênticos à microscopia. Só trofozoítos com hemácias fagocitadas sugerem E. histolytica. Na ausência disso, o laudo correto é “complexo E. histolytica/dispar”, e a distinção depende de coproantígeno específico ou PCR.
| Tamanho do cisto | Núcleos no cisto maduro | Estruturas para identificar | Significado | |
|---|---|---|---|---|
| Giardia duodenalis | 8–12 × 7–10 µm | 4 | Cisto oval, citoplasma retraído da parede, axonemas e corpos medianos. Trofozoíto piriforme com 2 núcleos e disco ventral. | Patogênico: giardíase |
| Complexo E. histolytica/dispar | 10–15 µm | até 4 | Cariossoma central e pequeno; cromatina periférica fina e regular; em bastão de pontas arredondadas. | E. histolytica é patogênica; E. dispar, não |
| Entamoeba coli | 10–35 µm | até 8 | Cariossoma excêntrico e grosseiro; cromatina periférica irregular; cromatoides em lasca, de pontas finas. | Comensal |
| Endolimax nana | 5–10 µm | 4 | Cisto pequeno e oval; núcleos só com cariossoma grande, sem cromatina periférica. | Comensal |
| Iodamoeba bütschlii | 5–20 µm | 1 | Grande vacúolo de glicogênio, castanho-escuro no lugol; forma irregular. | Comensal |
| Blastocystis spp. | 5–40 µm (forma vacuolar) | 2–4, periféricos | Vacúolo central ocupando quase toda a célula, com citoplasma e núcleos comprimidos na periferia. | Patogenicidade controversa |
| Cryptosporidium spp. | 4–6 µm (oocisto) | 4 esporozoítos | Álcool-ácido resistente, vermelho no Ziehl-Neelsen modificado. Eliminado já infectante. | Patogênico; grave no imunossuprimido |
| Cyclospora cayetanensis | 8–10 µm (oocisto) | não esporulado | Coloração variável no Ziehl-Neelsen (de rosa-pálido a vermelho); autofluorescente. Precisa de dias no ambiente para ficar infectante. | Patogênico |
| Cystoisospora belli | 20–33 × 10–19 µm | 1–2 esporoblastos | Oocisto elipsoidal, álcool-ácido resistente. | Patogênico; grave no imunossuprimido |
Divergências. (1) O flagelado aparece como Giardia lamblia, G. intestinalis ou G. duodenalis conforme a fonte; os três nomes se referem ao mesmo organismo. (2) O papel de Blastocystis como causa de doença continua em debate: há subtipos encontrados em pessoas sem sintomas e estudos associando-o a sintomas intestinais. (3) Além de E. dispar, outras espécies morfologicamente idênticas, como E. moshkovskii, também integram o complexo.
Base: Neves, capítulos de Giardia, amebas e coccídios intestinais; De Carli, Parasitologia Clínica; CDC DPDx conferir medidas na edição adotada.
Microscópio e chave de identificação
Protozoários exigem ampliação maior. O campo abaixo está na objetiva de 40× (450 µm). Use o zoom de tela para aproximar a imagem, troque a preparação e percorra a chave até chegar a uma identificação.
Chave de identificação
Base: critérios morfológicos de De Carli, Parasitologia Clínica, Neves e CDC DPDx. Chave dicotômica simplificada, elaborada para este site.
Protozoários na mesma escala (com um ovo de Ascaris de referência)
Um cisto de Endolimax nana cabe muitas vezes dentro de um ovo de Ascaris. É por isso que a varredura com a objetiva de 10× serve para helmintos, mas protozoários só são confirmados na de 40×.
Patogenia passo a passo
Dois protozoários, duas estratégias: a Giardia agride a superfície do intestino delgado sem invadir; a E. histolytica destrói tecido no cólon e pode chegar ao fígado.
Base: Neves, capítulos de giardíase e amebíase; Abbas, capítulo de imunidade a parasitos; Rey, Parasitologia conferir capítulos.
Questões comentadas
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Fontes do módulo
Simulação de rotina · Exame parasitológico de fezes
Bancada de EPF
Escolha a amostra e a técnica, percorra a lamínula inteira, marque o que encontrar e emita o laudo. Cada amostra tem mais de um parasito, comensais e muitos artefatos, como numa lâmina real.
Escolha a amostra
Cada pedido traz dados clínicos fictícios. Eles orientam a escolha da técnica, mas não entregam o resultado.
Escolha a técnica
Varredura da lâmina
Arraste o campo, use as setas na tela ou do teclado. Cada toque nas setas avança cerca de um campo. Toque num objeto para identificá-lo.
Lamínula 22 × 22 mm
Áreas já vistas ficam sombreadas. Uma varredura em zigue-zague, sem pular faixas, é o que garante que a lamínula inteira foi examinada.
Achados marcados
Laudo e correção
Base: princípios das técnicas em De Carli, Parasitologia Clínica, e Neves; diâmetro de campo = 18 mm ÷ objetiva; formas desenhadas a partir das medidas de referência do CDC DPDx. As proporções de recuperação por técnica são didáticas. Amostras e pedidos fictícios.
Helmintos · Classe Cestoda
Cestódeos intestinais
Vermes achatados e segmentados, sem tubo digestivo, que absorvem nutrientes pelo tegumento. Nos cestódeos, o que a pessoa ingere decide a doença: o cisticerco na carne leva ao verme adulto no intestino; o ovo de Taenia solium leva à cisticercose nos tecidos.
Ao final do módulo, você deve conseguir
- Diferenciar teníase de cisticercose quanto à forma ingerida, ao local do parasito e ao papel do ser humano no ciclo.
- Distinguir Taenia solium de T. saginata pelo escólex e pelas ramificações uterinas das proglotes grávidas, e explicar por que o ovo não identifica a espécie.
- Descrever o ciclo de Hymenolepis nana, com transmissão direta, autoinfecção interna e possibilidade de hospedeiro intermediário.
- Escolher os exames para cada situação: tamização, sedimentação, fita adesiva, sorologia e imagem.
Cisticercose sem comer carne de porco?
Quadro comparativo
Na teníase, o ser humano ingere o cisticerco na carne crua ou malpassada e abriga o verme adulto no intestino delgado: é hospedeiro definitivo. Na cisticercose, ingere o ovo de T. solium; a oncosfera atravessa a parede intestinal e forma cisticercos nos tecidos (sistema nervoso central, músculos, olhos, subcutâneo): o ser humano ocupa o lugar do suíno, como hospedeiro intermediário. A neurocisticercose é causa importante de epilepsia adquirida em áreas endêmicas.
O ovo de T. saginata não causa cisticercose humana. Os ovos das duas espécies são indistinguíveis ao microscópio, por isso o laudo diz "ovos de Taenia sp.". A espécie se identifica pelas proglotes grávidas, pelo escólex ou por métodos moleculares. As proglotes de T. saginata costumam sair ativamente pelo ânus, fora das evacuações; as de T. solium, em cadeias, junto com as fezes.
| Taenia solium | Taenia saginata | Hymenolepis nana | Hymenolepis diminuta | |
|---|---|---|---|---|
| Hospedeiro intermediário | Suíno (e o ser humano, na cisticercose) | Bovino | Dispensável; insetos podem servir | Insetos (pulgas, besouros de grãos) |
| Forma infectante | Cisticerco (teníase); ovo (cisticercose) | Cisticerco | Ovo (direto) ou cisticercoide no inseto | Cisticercoide no inseto |
| Escólex | Armado: rostro com dupla coroa de acúleos | Inerme, sem acúleos | Rostro retrátil com uma coroa de acúleos | Rostro sem acúleos |
| Proglote grávida | Poucas ramificações uterinas (≈ 7–13 de cada lado) | Muitas ramificações (≈ 15–30 de cada lado) | Pequenas; raramente vistas | Pequenas; raramente vistas |
| Ovo | ≈ 30–35 µm, embrióforo radiado | idem (indistinguível) | ≈ 30–47 µm, com filamentos polares | ≈ 60–80 µm, sem filamentos |
| Diagnóstico | Tamização, ovos na sedimentação ou no Graham; cisticercose: imagem e sorologia | Tamização, Graham (proglotes ativas) | Sedimentação (ovos nas fezes) | Sedimentação |
Divergência entre fontes. O número de ramificações uterinas aparece com limites diferentes conforme o autor (por exemplo, até 12 ou até 13 para T. solium; a partir de 14 ou de 15 para T. saginata), e há sobreposição em proglotes mal fixadas. Confira os valores do livro adotado. Também existe a Taenia asiatica, próxima de T. saginata, descrita no Sudeste Asiático.
Base: Neves, capítulos de Taenia/cisticercose e Hymenolepis; Rey, Parasitologia; CDC DPDx conferir limites de ramificações e medidas.
O que foi ingerido?
Escolha o que a pessoa ingeriu e veja onde o parasito se instala, qual doença resulta e qual o papel do ser humano no ciclo.
Conte as ramificações uterinas
Proglote grávida clarificada, como depois da tamização e da prensagem entre lâminas. Conte as ramificações primárias que saem do tronco uterino de um dos lados e classifique a espécie.
Esquema didático: o número de ramificações foi sorteado dentro das faixas de referência de cada espécie.
Os três caminhos do Hymenolepis nana
É o único cestódeo humano que dispensa hospedeiro intermediário. Escolha uma via e acompanhe as etapas.
Base: Neves e Rey, capítulos de Hymenolepis; CDC DPDx.
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Helmintos · Classe Trematoda
Esquistossomose mansônica
Schistosoma mansoni vive em casais nas veias do sistema porta. Os vermes adultos quase não causam dano; a doença vem dos ovos que ficam retidos no fígado e no intestino e da resposta imune que eles provocam.
Ao final do módulo, você deve conseguir
- Descrever o ciclo heteroxênico de S. mansoni, com o caramujo Biomphalaria como hospedeiro intermediário e as formas de vida livre (miracídio e cercária).
- Explicar a formação do granuloma em torno do ovo, a fibrose periportal e a hipertensão portal.
- Relacionar a carga parasitária à sensibilidade do Kato-Katz e justificar o exame de mais de uma lâmina e de mais de uma amostra.
- Identificar em que ponto do ciclo cada medida de controle atua.
Quem causa a doença?
Ciclo e patogenia
Os ovos saem nas fezes e, em água doce, liberam o miracídio, que penetra o caramujo Biomphalaria (no Brasil, sobretudo B. glabrata, B. straminea e B. tenagophila). Após a multiplicação assexuada (esporocistos), o caramujo libera milhares de cercárias, que penetram ativamente a pele humana, perdem a cauda e viram esquistossômulos. Estes passam pelo pulmão, chegam ao sistema porta, amadurecem e migram em casais para as veias mesentéricas, onde a fêmea põe ovos.
Cerca de metade dos ovos não alcança a luz intestinal e é levada pelo sangue ao fígado. Lá, os antígenos solúveis do ovo induzem um granuloma com predomínio de resposta Th2 (eosinófilos, macrófagos alternativamente ativados, fibroblastos). O granuloma protege os hepatócitos das toxinas do ovo, mas sua cicatrização deposita colágeno ao redor dos ramos portais: a fibrose periportal (de Symmers). O resultado é hipertensão portal, esplenomegalia, circulação colateral e varizes de esôfago, com risco de hemorragia digestiva.
Na fase aguda, logo após a primeira oviposição, pode haver a forma toxêmica (febre de Katayama), com febre, eosinofilia elevada e hepatomegalia, mais comum em pessoas que se expõem pela primeira vez, como turistas em áreas endêmicas.
Diagnóstico. Kato-Katz (quantitativo, padrão em inquéritos); sedimentação; biópsia retal em casos selecionados; sorologia e detecção de antígenos circulantes (como o CCA na urina) para áreas de baixa transmissão. A sensibilidade do Kato-Katz cai muito em cargas baixas, tema da Ferramenta 3.
Base: Neves, capítulos de Schistosoma mansoni e esquistossomose; Pearce & MacDonald (2002); Ministério da Saúde, Guia de Vigilância em Saúde conferir edição.
Ciclo com barreiras
Ative medidas de controle e veja onde cada uma interrompe o ciclo.
Esquema qualitativo; não estima a redução real da transmissão.
O granuloma ao redor do ovo
Mova o tempo desde o início da oviposição e compare uma resposta imune normal com a ausência de linfócitos T CD4⁺.
Padrão descrito sobretudo em camundongos: o granuloma cresce nas primeiras semanas de oviposição e depois diminui por modulação imune. Curva didática conferir em Pearce & MacDonald (2002).
Por que um Kato-Katz negativo não basta
Uma lâmina de Kato-Katz examina só 41,7 mg de fezes. Se a pessoa elimina poucos ovos por grama, é provável que a lâmina não contenha nenhum. Ajuste a carga e o número de lâminas.
Modelo de Poisson: supõe ovos distribuídos ao acaso nas fezes. Na prática os ovos se agregam e variam de um dia para outro, e a sensibilidade real é ainda menor.
Base: princípio da amostragem de Poisson aplicado ao volume examinado; Katz (2018), INPEG, sobre a limitação do Kato-Katz em baixa carga.
Questões comentadas
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Fontes do módulo
Integração · Imunoparasitologia
Imunologia das enteroparasitoses
Helmintos são grandes demais para serem fagocitados. Contra eles o organismo monta uma resposta tipo 2 voltada a expulsar, isolar e reparar. Contra os protozoários, a resposta depende do lugar onde eles vivem. E os parasitos, por sua vez, modulam essa resposta para sobreviver por anos.
Ao final do módulo, você deve conseguir
- Descrever a resposta tipo 2 contra helmintos intestinais: alarminas epiteliais, ILC2, linfócitos Th2, IL-4, IL-5, IL-13, IgE, eosinófilos e mastócitos.
- Explicar o mecanismo de expulsão ("weep and sweep") e o papel das células em tufo e caliciformes.
- Relacionar eosinofilia e IgE à fase do ciclo, inclusive quando o exame de fezes ainda é negativo.
- Reconhecer mecanismos de evasão e de modulação imune de parasitos intestinais.
Eosinofilia com exame de fezes negativo
A resposta tipo 2
O dano ao epitélio intestinal e produtos dos helmintos levam as células epiteliais a liberar alarminas: IL-25 (sobretudo pelas células em tufo), IL-33 e TSLP. Elas ativam as células linfoides inatas do tipo 2 (ILC2) e as células dendríticas, que favorecem a diferenciação de linfócitos T CD4⁺ em Th2.
A IL-4 promove a troca de classe para IgE, que arma mastócitos e basófilos. A IL-5 recruta e ativa eosinófilos, fonte da eosinofilia. A IL-13 aumenta a produção de muco pelas células caliciformes, acelera a renovação do epitélio e a contração da musculatura lisa e induz macrófagos alternativamente ativados (M2), envolvidos em reparo e fibrose. Juntos, esses efeitos desalojam e expulsam os vermes.
Infecções crônicas também induzem regulação: linfócitos T reguladores, IL-10 e TGF-β limitam o dano tecidual e permitem que o parasito persista. Para protozoários intestinais, a defesa envolve sobretudo IgA secretória (giardíase) e, na amebíase invasiva, neutrófilos, macrófagos ativados e resposta Th1.
Base: Abbas, Lichtman & Pillai, Imunologia Celular e Molecular, capítulo de imunidade a parasitos e de respostas tipo 2 conferir capítulo; Murphy & Weaver, Imunobiologia de Janeway.
Simulador de polarização
Ajuste os sinais que chegam ao linfócito T CD4⁺ virgem e veja para onde a resposta se inclina e quais efetores aparecem.
Modelo didático e qualitativo: as respostas reais são contínuas e mistas.
Weep and sweep: como o intestino expulsa um verme
Estratégias de evasão
Associe cada parasito a uma estratégia que ajuda a explicar sua persistência.
| Parasito | Estratégia |
|---|
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Saúde coletiva · Vigilância e controle
Epidemiologia e controle
Prevalência diz quantos estão infectados; intensidade diz quanto. Os vermes se concentram em poucas pessoas, os medicamentos curam mas não impedem a reinfecção, e sem água e saneamento o tratamento em massa precisa ser repetido indefinidamente.
Ao final do módulo, você deve conseguir
- Diferenciar prevalência e intensidade de infecção e interpretar classes de intensidade.
- Explicar a distribuição agregada dos helmintos e suas consequências para o controle.
- Prever a reinfecção depois do tratamento em massa, usando taxas de cura e de reinfecção publicadas.
- Ler criticamente um inquérito nacional: pergunta, desenho, método diagnóstico, resultados e limitações.
Quanto dura o efeito de um tratamento em massa?
Conceitos para ler dados de enteroparasitoses
Prevalência é a proporção de pessoas infectadas num momento; intensidade é a carga parasitária, estimada por ovos por grama de fezes. A morbidade das geo-helmintíases e da esquistossomose depende sobretudo da intensidade, por isso a OMS classifica as infecções em leves, moderadas e intensas e define metas de controle pela proporção de infecções moderadas e intensas.
Os helmintos têm distribuição agregada: a maioria das pessoas tem poucos vermes e uma minoria concentra a maior parte. Estatisticamente, a carga segue uma distribuição binomial negativa, em que o parâmetro k mede a agregação (quanto menor, mais agregada). Essas pessoas muito infectadas sofrem mais e contaminam mais o ambiente.
A quimioprofilaxia preventiva (tratamento em massa de grupos de risco, como escolares) reduz rapidamente a intensidade e a morbidade. Como não protege contra reinfecção, precisa ser repetida e, para interromper a transmissão, combinada com água, saneamento, higiene e educação em saúde.
Base: Rouquayrol & Gurgel, Epidemiologia & Saúde; Organização Mundial da Saúde (2002); Keiser & Utzinger (2008); Jia et al. (2012).
Poucos com muitos vermes
Cada quadrado é uma pessoa; a cor mostra quantos vermes ela tem. Mude a agregação (k) e a carga média e veja quanto da carga total fica com os 20% mais infectados.
Simulação com distribuição binomial negativa, o modelo clássico da epidemiologia de helmintos; valores ilustrativos.
Reinfecção depois do tratamento em massa
Escolha o parasito, a frequência do tratamento e se há melhoria de saneamento. A curva usa as taxas de cura do albendazol em dose única e as taxas de reinfecção de uma meta-análise.
Modelo didático: queda pela taxa de cura e retorno exponencial calibrado para atingir, em 12 meses, a fração da prevalência pré-tratamento relatada por Jia et al. (2012). O efeito do saneamento é ilustrativo.
Clube de revista: o inquérito nacional (INPEG)
Responda cada pergunta de leitura crítica sobre o Inquérito Nacional de Prevalência da Esquistossomose mansoni e Geo-helmintoses (Katz, 2018) e compare com o comentário.
Prevalência em escolares de 7 a 17 anos, Brasil, 2011–2015. Dados de Katz (2018); barras de erro = IC 95%.
Questões comentadas
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Fontes do módulo
Transversal · Diagnóstico laboratorial
Laboratório de diagnóstico
Cada técnica coproparasitológica explora uma propriedade física ou biológica do parasito: densidade, comportamento da larva, local de postura, afinidade por corantes. Saber o princípio é o que permite escolher o exame certo e entender por que um resultado negativo nem sempre é negativo.
Ao final do módulo, você deve conseguir
- Relacionar o princípio de cada técnica (, , , adesão, ) às formas parasitárias que ela recupera.
- Escolher e justificar o exame adequado para cada suspeita clínica ou objetivo (clínico ou de inquérito).
- Calcular o pelo método de Kato-Katz e classificar a intensidade da infecção pelos critérios da OMS.
- Explicar por que o número de amostras e a prevalência alteram o desempenho de um exame (, ).
Um negativo que pode não ser negativo
Técnicas e seus princípios
Nenhuma técnica recupera todas as formas parasitárias. Ovos pesados (de Schistosoma mansoni, de Taenia spp. e ovos inférteis de Ascaris lumbricoides) afundam; cistos de protozoários e ovos leves flutuam em soluções densas; larvas vivas de Strongyloides stercoralis migram para a água morna; a fêmea de Enterobius vermicularis deposita os ovos na pele perianal, longe das fezes. Por isso o pedido de exame precisa dizer o que se suspeita.
Os métodos de rotina são qualitativos (dizem se há ou não parasito). O Kato-Katz é quantitativo: examina uma massa padronizada de fezes e permite estimar a carga parasitária, o que importa para inquéritos e programas de controle de e esquistossomose.
| Técnica | Princípio | Recupera bem | Limitações |
|---|
Base: De Carli, Parasitologia Clínica (métodos coproparasitológicos) conferir capítulos e valores de densidade; Neves, Parasitologia Humana, capítulo de exames laboratoriais; CDC DPDx, Stool specimens: specimen processing.
Qual exame pedir?
Leia a situação, marque uma ou mais técnicas e confira. O retorno diz o que é melhor escolha, o que também serve e por que as outras não servem.
Lâmina de Kato-Katz: conte e calcule o OPG
No Kato-Katz, a placa perfurada padroniza a quantidade de fezes (41,7 mg na placa usual). Contam-se todos os ovos da lâmina e multiplica-se pelo fator da placa: com 41,7 mg, OPG = ovos × 24. Escolha a espécie e toque em cada ovo para marcá-lo.
Ovos ampliados em relação ao tamanho real da lâmina para permitir a contagem. Em salina não há verde de malaquita; aqui o fundo verde-claro representa o celofane embebido em glicerina e verde de malaquita.
Sua contagem
Calculadora de OPG
Base: Organização Mundial da Saúde, relatório do comitê de especialistas sobre esquistossomose e geo-helmintíases (TRS 912, 2002), classes de intensidade; De Carli, Parasitologia Clínica, método de Kato-Katz conferir fatores de placa.
Simulador de amostras seriadas
Volte à sua previsão do início. Na giardíase, a eliminação de cistos costuma ser intermitente: há dias com muitos cistos e dias com poucos ou nenhum. Ajuste os parâmetros e veja quantos pacientes infectados um laboratório detectaria com 1 a 5 amostras colhidas em dias diferentes.
100 pacientes infectados
Modelo didático: considera as amostras independentes entre si. Os valores iniciais são ilustrativos e não descrevem um kit ou laboratório real.
Base: princípio de probabilidade de detecção com amostras repetidas, aplicado à eliminação intermitente de cistos descrita em Neves e De Carli conferir recomendação de número de amostras.
Calculadora de sensibilidade, especificidade, VPP e VPN
Sensibilidade e especificidade são propriedades do teste. Os dependem também da prevalência na população testada. Mova a prevalência e observe o VPP.
Em 1.000 pessoas testadas
Valores ilustrativos. Para um teste real, use a sensibilidade e a especificidade relatadas no estudo de validação, na população equivalente.
Base: Rouquayrol & Gurgel, Epidemiologia & Saúde, e Medronho et al., Epidemiologia, capítulos de validade de testes diagnósticos.
Questões comentadas
Cada alternativa tem justificativa. Os números são diferentes dos usados nas ferramentas.
De volta à sua previsão
Fontes do módulo
Edições, anos e editoras dos livros estão marcados para conferência no exemplar adotado pela disciplina.
Helmintos · Filo Nematoda
Nematoides intestinais
Cinco parasitos com o mesmo plano corporal e estratégias de transmissão muito diferentes: ovo ingerido, larva que penetra na pele, ovo depositado na pele perianal e, no caso do Strongyloides stercoralis, um ciclo que se completa dentro do próprio hospedeiro.
Ao final do módulo, você deve conseguir
- Comparar os ciclos de Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura, ancilostomídeos, Strongyloides stercoralis e Enterobius vermicularis quanto à forma infectante, via de infecção, habitat e forma diagnóstica.
- Identificar ovos e larvas pelas estruturas diagnósticas e pelo tamanho em µm.
- Explicar a do S. stercoralis e por que a imunossupressão (sobretudo corticoterapia e infecção por HTLV-1) pode levar à .
- Relacionar o ciclo pulmonar à e à resposta do tipo Th2 (IL-4, IL-5, IL-13, IgE, eosinófilos).
Larvas depois de 40 anos?
Quadro comparativo
Os três primeiros (Ascaris, Trichuris e ancilostomídeos) são : o ovo ou a larva precisa passar um período no solo para se tornar infectante. Por isso não há transmissão direta de pessoa a pessoa. Enterobius é o oposto: o ovo fica infectante em poucas horas na pele perianal, o que explica a transmissão intradomiciliar e em creches.
Ascaris, ancilostomídeos e Strongyloides passam pelo pulmão (ciclo de Loss), onde as larvas atravessam os capilares para os alvéolos, sobem pela árvore brônquica, são deglutidas e chegam ao intestino delgado. Essa passagem pode causar tosse, infiltrados pulmonares transitórios e eosinofilia.
| A. lumbricoides | T. trichiura | Ancilostomídeos N. americanus, A. duodenale | S. stercoralis | E. vermicularis | |
|---|---|---|---|---|---|
| Habitat do adulto | Intestino delgado (jejuno e íleo) | Ceco e cólon ascendente; todo o cólon e reto nas infecções intensas | Duodeno e jejuno, aderidos à mucosa | Fêmea partenogenética na mucosa do duodeno e jejuno | Ceco, apêndice e cólon |
| Forma infectante | Ovo embrionado com larva infectante (L3; ver nota) | Ovo embrionado (L1) | (L3) | Larva filarioide (L3), de vida livre ou formada no hospedeiro | Ovo embrionado (fica infectante em poucas horas) |
| Via de infecção | Oral (água, alimentos, mãos) | Oral | Penetração ativa na pele; A. duodenale também por via oral | Penetração na pele; autoinfecção interna e externa | Oral (mãos, fômites, poeira), autoinfecção externa e |
| Ciclo pulmonar | Sim | Não | Sim | Sim | Não |
| Forma diagnóstica | Ovo fértil ou infértil nas fezes | Ovo nas fezes | Ovo nas fezes (larva rabditoide se as fezes envelhecerem) | nas fezes | Ovo na pele perianal |
| Exame preferencial | Sedimentação; Kato-Katz | Kato-Katz; sedimentação | Willis; Kato-Katz com leitura rápida | Baermann-Moraes, Rugai, cultura em placa de ágar | Graham (fita adesiva) |
| Marca clínica | Obstrução por bolo de vermes; migração errática (vias biliares); Loeffler | Colite, disenteria e prolapso retal nas infecções intensas | Anemia ferropriva por perda de sangue | Dor epigástrica, , hiperinfecção | Prurido anal noturno |
Divergência entre fontes. Textos mais antigos descrevem a larva infectante dentro do ovo de A. lumbricoides como L2; estudos posteriores mostraram uma segunda muda ainda no ovo, e a forma infectante passou a ser descrita como L3. Confira qual estágio a edição adotada pela disciplina apresenta.
Base: Neves, Parasitologia Humana, capítulos de Ascaris, Trichuris, ancilostomídeos, Strongyloides e Enterobius; Rey, Parasitologia; Cimerman & Cimerman conferir capítulos na edição adotada.
Microscópio virtual
Cada campo traz uma forma diagnóstica em tamanho real em relação ao campo (diâmetro do campo = 18 mm ÷ objetiva: 1.800 µm com a de 10× e 450 µm com a de 40×). Há artefatos de propósito. Use a régua, identifique e confira.
O que há neste campo?
Ilustrações esquemáticas, desenhadas a partir das medidas de referência. Recomenda-se conferir com lâminas reais e com o atlas da disciplina.
Base: medidas de referência em Neves, Parasitologia Humana, De Carli, Parasitologia Clínica, e CDC DPDx conferir medidas na edição adotada.
Todos na mesma escala
Ovos e larvas desenhados com a mesma ampliação. Repare que a larva rabditoide tem cerca de quatro vezes o comprimento de um ovo de Ascaris, e que a diferença entre as duas larvas está na extremidade anterior e no primórdio genital, não no tamanho.
Monte o trajeto: ciclo pulmonar do Ascaris
Toque nas etapas na ordem em que acontecem, da ingestão até o verme adulto. Para desfazer, toque numa etapa já colocada.
Etapas disponíveis
Sua sequência
Base: Neves, Parasitologia Humana, capítulo de Ascaris lumbricoides; Rey, Parasitologia.
O ciclo do Strongyloides stercoralis
É o único dos nematoides intestinais humanos que se multiplica dentro do hospedeiro. Escolha um caminho para destacá-lo no esquema.
Da infecção crônica à hiperinfecção
Na pessoa imunocompetente, a autoinfecção é mantida em nível baixo pela resposta Th2 e a infecção pode persistir por décadas com poucos sintomas. Escolha uma condição e veja o que acontece com a carga de larvas ao longo de um ano.
Modelo didático com parâmetros escolhidos para mostrar a tendência, não a velocidade real. A hiperinfecção já foi descrita com cursos curtos de corticoide, em qualquer dose e via.
Base: Nutman (2017), revisão em Parasitology sobre infecção humana por Strongyloides; Neves, capítulo de Strongyloides stercoralis; Abbas, capítulo de imunidade a parasitos conferir capítulo.
Dona Francisca e a asma que piorou
O caso é revelado em etapas. Em cada uma, escolha e leia o retorno antes de avançar.
Questões comentadas
De volta à sua previsão
Fontes do módulo
Edições, anos e editoras dos livros estão marcados para conferência no exemplar adotado pela disciplina.